Capitães da Areia nos Cinemas

Próximo ao centenário de Jorge Amado, obra do escritor baiano chega às telonas com a história de alegria e superação de crianças abandonadas

"Não se vive inutilmente uma infância entre os Capitães da Areia", Jorge Amado
"Não se vive inutilmente uma infância entre os Capitães da Areia", Jorge Amado (Créditos: Divulgação)
"Já tínhamos um Pedro, uma Dora, um Professor dentro de nós", diz Jean Luis (Pedro Bala)
"Já tínhamos um Pedro, uma Dora, um Professor dentro de nós", diz Jean Luis (Pedro Bala) (Créditos: Divulgação)
"Esse personagem mudou o meu modo de perceber o que está ao meu redor. Os moradores de rua também são seres humanos", diz Ana Graciela após sua experiência no papel de Dora
"Esse personagem mudou o meu modo de perceber o que está ao meu redor. Os moradores de rua também são seres humanos", diz Ana Graciela após sua experiência no papel de Dora (Créditos: Divulgação)
"Quando li o livro, me identifiquei com o personagem pela atitude e coragem", conta Ana Graciela (Dora)
"Quando li o livro, me identifiquei com o personagem pela atitude e coragem", conta Ana Graciela (Dora) (Créditos: Divulgação)
"Depois de viver esses personagens, a gente para e pensa no que podemos contribuir para ter uma sociedade melhor", Robério Lima (Professor)
"Depois de viver esses personagens, a gente para e pensa no que podemos contribuir para ter uma sociedade melhor", Robério Lima (Professor) (Créditos: Divulgação)
"Quando li o livro aos 14 ou 15 anos, tinha o desejo de encontrar o Pedro Bala na rua e casar com ele. Esse sentimento ficou marcado para mim", conta a diretora Cecília Amado
"Quando li o livro aos 14 ou 15 anos, tinha o desejo de encontrar o Pedro Bala na rua e casar com ele. Esse sentimento ficou marcado para mim", conta a diretora Cecília Amado (Créditos: Divulgação)

Lido por milhares de adolescentes e eternizado na memória de muitos, Capitães da Areia, o romance escrito por Jorge Amado em 1937, ganha as salas de cinema a partir de 7 de outubro na produção homônima assinada por sua neta Cecília Amado.

Mais atual do que nunca, o longa, que se passa na década de 50, acompanha um ano da vida de garotos que lutam para sobreviver em Salvador, lidando com o contraponto entre o abandono da família e a liberdade encontrada nas ruas. "Uma criança que fica sozinha dentro de um apartamento também se sente abandonada", comenta Cecília explicando a abrangência do assunto. "Do mesmo modo que todo adolescente sonha com a liberdade de poder fazer o que quiser", conclui.

Assim como o livro, o filme poderia apelar para o lado político, ou talvez ser mais triste e dramático, no entanto, não foi isso o que Cecília pensou na hora da montagem. “Queria ser fiel ao Jorge que eu conheci, alguém muito mais humanista do que o Jorge político de 24 anos que escreveu o livro”, conta a neta e diretora para explicar a abordagem muito mais cultural e social da obra cinematográfica, o que torna o filme leve, divertido e apaixonante.

“Sob a lua, num velho trapiche abandonado”

Sob o comando de Pedro Bala, garotos como Boa Vida, Sem-Pernas, Gato, Professor e tantos outros formam o grupo conhecido como Capitães da Areia pela facilidade de se camuflar nas ruas da cidade depois dos furtos realizados durante o dia. À noite eles se refugiam num barracão abandonado à beira-mar; dezenas de garotos dormindo em redes, no chão ou em algum cantinho, com o compromisso de respeitarem uns aos outros e a missão de defender os garotos de rua.

Isso até o dia em que Dora chega ao local, depois da morte de seus pais, contaminados pela Varíola. A garota sofre com o preconceito e tentativas de estupros. Mas é forte e corajosa, principalmente para defender seu irmão mais novo, Zé Fuinha, acima até da própria vida. Com o passar dos dias, a garota conquista o respeito e amor dos meninos, que veem nela uma mãe. Exceto Professor e Pedro Bala, que olham a menina-mulher com olhos apaixonados.

Nesse período de transição da infância para a adolescência apresentado no longa, os Capitães encaram aventuras, se entregam a amores e vivem sonhos encantadores e verdadeiros pesadelos.

“Eram na verdade os donos da cidade... os seus poetas”

Para representar jovens da Bahia, nada melhor do que jovens da Bahia. Foi buscando essa verdade na atuação que a diretora buscou seu elenco mirim em ONGs, projetos sociais e comunidades do estado nordestino. “Foram 1.200 entrevistados até chegar em 90 selecionados. Depois de dois meses de oficina montamos a ‘família’ final”, conta Cecília sobre a descoberta de talentos em adolescentes como Jean Luis Amorim (Pedro Bala), Ana Graciela (Dora) e Robério Lima (Professor).

E por que não uma trilha sonora assinada por um soteropolitano ligado a projetos sociais? Assim, Cecília convidou Carlinhos Brown para ser o responsável pela produção musical do filme. Um casamento perfeito entre som e imagem, com doses de axé, capoeira e religiosidade, que pode ser conferido nas telonas.

Algumas curiosidades sobre a produção:

As gravações do filme foram divididas em três etapas, sendo concluídas após nove meses. Isso aconteceu propositalmente para acompanhar o crescimento dos atores, tornando mais real a passagem da infância para a adolescência transmitida no filme.

Enquanto compunha a trilha sonora do filme, Carlinhos Brown recebeu o convite para participar também das trilhas da animação RIO e da franquia Velozes e Furiosos 5. "Capitães de Areia me deu sorte", brinca o cantor.

Em 2012, o escritor baiano Jorge Amado completaria 100 anos. Para Cecília Amado, o fato de o filme ser lançado na mesma época não é uma coincidência. "É o momento de recuperar a cultura e trazer Jorge Amado para as novas gerações".

Mariana Viola redator(a)

Comentários

gessica
07/01/2012 0:47

muito bom o livro e agora o filme pois nele relata a forma de vida de cada personagem do livro o q nao sao bem personagens, sao pessoas q realmente viveram cada capitulo. muito bom parabens por transformar essa obra em filme. parabens jorge amado e a sua neta por esta passando tudo isso pra gente para q a gente possa ver cada momento

Jonnathan
29/10/2011 2:37

A trilha está melhor do que o Filme...

Mauro Alvim
08/10/2011 12:50

Sinceramente, o recado que o Jorge Amado quis dar ao público passou em branco. Nele, o autor faz quase que um chamado para uma revolução e explora com fervor a revolta dos pobres pelo quanto são humilhados pelos ricos e daí o ato de roubar e dividir entre eles é um tipo de vingança deles. O filme fica mais centrado no romance entre o Pedro Bala e sua namorada. Nem o padre José Pedro que tem grande participação na história, é chamado de comunista por querer ajudar os garotos, não apareceu. O filme merecia mais centrar a ação toda em cima da história do Pedro Bala como líder daquela turma querendo se vingar contra os ricos, a ponto de, fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai junto com os Capitães da Areia ajudar numa greve, abandonando a liderança do grupo e se tornando um líder revolucionário comunista.

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